Le Mans 2011 - E no fim a Audi venceu

Se depois da desistência por acidente dos Audi #3 e #1 se esperava que o construtor alemão ficasse inferiorizado contra três Peugeot oficiais e sem opções tácticas, até porque se esperava que chovesse durante a manhã e era importante ter um segundo carro de referência para melhor aferir o momento ideal de trocar de pneus.
O que é certo, até porque o Audi fazia menos voltas com um depósito de combustível, portanto teria que parar mais vezes, é que só restava uma táctica: velocidade pura, bater os Peugeot andando sempre a fundo.
E se assim pensaram, melhor fizeram. Com três pilotos rapidíssimos, com destaque para André Lotterer e principalmente Benoyt Treluyer que andaram com um ritmo verdadeiramente diabólico.
Isto aliado ao excelente trabalho de box dos homens da Joest que conseguiam ser mais rápidos um par de segundos a cada paragem, de tal modo que, mesmo parando mais três vezes, conseguiu ficar menos 34 segundos nas boxes, quando a diferença final entre carros foi de 13 segundos.
Outro factor determinante foi a capacidade de fazer 4 turnos com o mesmo jogo de pneus enquanto a Peugeot normalmente fez apenas 3 turnos, sendo que cada paragem com troca de pneus representa mais 25 segundos aproximadamente em relação a uma paragem apenas para reabastecer.
O Peugeot que mais luta deu foi o #9 do português Pedro Lamy, que ficou "no banco" a maior parte da corrida, numa decisão incompreensível de Olivier Quesnel, que, após a primeira rotação de pilotos, decidiu entregar a condução do carro apenas a Simon Pagenaud e Sebastien Bourdais, por alegadamente serem os dois pilotos mais rápidos do carro. Uma decisão no mínimo estranha, já que o nosso compatriota é conhecido pela extrema rapidez durante a noite, onde geralmente consegue também poupar bastante os pneus e por andar muito bem à chuva também. Depois, durante a manhã, enquanto o Audi continuava a andar a fundo, era visível o cansaço, principalmente de Bourdais, que perdia cerca de 2 segundos por volta para os tempos realizados por Pagenaud, que por sua vez também não se aproximava dos melhores tempos já realizados.

Tudo isto deu tempo para Treluyer ter bastante calma e fazer 3 ou 4 voltas muito devagar, como que a apalpar terreno, chegando mesmo a ser passado por um LMP2, quando começou a chover pelas 11 da manhã.
No terceiro lugar do pódio ficou o Peugeot #8, que supostamente seria o carro mais rápido da equipa, e que estava destinado a atacar os Audi, algo que não se verificou com o desenrolar da prova, sendo efectivamente o mais lento dos três, mas beneficiando de uma saída de Wurz em Indianapolis que o fez perder 3 voltas, para superar o Peugeot #7 que ficou em 4º à frente do Peugeot #10 versão 2010 da Oreca já a 16 voltas, depois de alguns problemas, nomeadamente duas saídas de Loic Duval que obrigaram a reparações.
Na "classe não oficial" dos LMP1 a gasolina, o melhor foi o Lola Toyota #12 da Rebellion, que benificiou do acidente de Emanuel Collard com o Pescarolo #16 a menos de 2 horas do fim, em Mulsanne, que deixou o carro muito maltratado obrigando à desistência, depois de uma muito animada luta com ambos os Lola da Rebellion, sendo que o Lola Toyota #13 já tinha desistido também por acidente, pelas 5 da manhã.
Depois ficou o restante LMP1 a terminar, o Lola Aston Martin versão 2010 da Kronos, a já distantes 10 voltas do carro da Rebellion. O carro fez uma prova regular mas duas saídas de Vanina Ickx atrasaram bastante o carro.

Le Mans 2011 - As primeiras horas

Na antevisão da corrida previmos que as dobragens aos pilotos atrasados seriam decisivas, tal o equilíbrio de andamentos na frente e que alguns dos pilotos em disputa revelavam pouca paciência para se desembaraçar dos pilotos mais atrasados.
E ao fim de oito horas de prova mais um Audi completamente destruído depois de um desentendimento com um Ferrari da classe GTE PRO. Entre Mulsanne e Indianapolis o Audi #1 pilotado na altura por Mike Rockenfeller perdeu o controlo quando dobrava um Ferrari, devido a um toque ou a ter ido à relva ao evitar o GT, destruindo por completo o Audi. Foram momentos de angústia nas boxes pois não se via sinal de uma silhueta de carro nem piloto, apenas largos minutos depois chegaram as primeiras informações de que o piloto saiu do carro pelos próprios meios sem ferimentos graves.
Quanto à corrida, o Audi #2 continua mais rápido que os Peugeot que por sua vez são mais poupados, numa luta muito interessante.
O Zytek da Quifel ASM desistiu com o motor partido com perto de 3 horas de prova.

Le Mans 2011 - Primeiras voltas

Dois destaques das primeiras voltas.
Aparentemente os Peugeot parecem capazes de fazer mais uma ou duas voltas com um tanque de combustível que os Audi, que por sua vez estão com ritmo de corrida algo superior.
Depois, a primeira baixa nas equipas oficiais, com McNish a destruir literalmente o Audi #3 nas curvas Dunlop ao dobrar um Ferrari 458 Italia.

Le Mans 2011 - Qualificação - Resultado Final

Le Mans 2011 - 3ª Qualificação

A Audi e a Peugeot andam a dizer, desde o início da semana, que a Pole Position não é importante, pois trata-se de uma corrida de 24 horas em que o ritmo de corrida, o consumo e o desgaste de pneus é que importam...
Porém, quem assistiu ao final da 2ª sessão e à 3ª sessão concerteza não acredita a esta hora nestas declarações.
Se no final da 2ª sessão os três primeiros estavam separados por pouco mais de 0,3s, que dizer no final da terceira, em que os seis diesel oficiais da Audi e Peugeot acabaram todos num intervalo de 0,534s !!! Em proporção são 0,26% do tempo da pole! Isto após uma luta sem tréguas pelo melhor tempo.
Apesar disso, a Audi nunca perdeu a liderança, sendo que logo no início da sessão o Audi #1 "roubou" a pole provisória, com um tempo canhão de Romain Dumas, lugar que ocupou durante cerca de 1 hora, altura em que Benoit Treluyer recuperou o primeiro lugar de forma definitiva para o Audi #2. Aliás, estes dois carros foram os únicos a baixar dos 3m26s durante as sessões de qualificação, sendo que o carro da pole o fez por duas vezes e por dois pilotos diferentes, Fassler na 2ª sessão e Treluyer na 3ª sessão.
Batida acabou a Peugeot, e como muitas vezes no passado, se bem que normalmente em corrida, pela inteligência e sentido táctico dos homens da Joest que colocam a correr os Audi. Isto porque, ao contrário dos Audi, que aparentemente escolheram melhor os momentos de entrar em pista, os Peugeot tiveram muitas dificuldades em realizar voltas limpas devido ao intenso tráfego. Por exemplo, o Peugeot #9 que alcançou o 3º tempo, o melhor classificado dos 908, terá realizado este tempo com pneus macios de corrida. Verdade ou não, o que é certo é que foi na 3ª de uma série de 6 voltas que conseguiu o tempo e na 4ª volta, no final do 2º parcial estava 0,482s mais rápido que na 3ª volta, perdendo no entanto 5,0s no último parcial. Basta lembrar que ficou a 0,418s da pole!
Aliás, o tráfego, tal a diferença de andamento dos Audi e Peugeot para os restantes concorrentes, poderá ter um papel determinante no resultado final, conhecida que é a falta de paciência de alguns dos pilotos da Audi e Peugeot para as dobragens.
Quanto aos restantes LMP1, tudo se manteve mais ou menos igual, com os Aston Martin AMR One a lutarem com o embrionário Oreca híbrido pelos últimos lugares da categoria, a mais de 20 segundos dos melhores tempos e entre os LMP2 a apenas baterem o pouco desenvolvido Norma, o Oak Pescarolo dos pilotos pagantes e o Lola da Level 5 de João Barbosa, que continua com muitos problemas.
Na LMP2 melhor tempo para o Oreca-Nissan da Signature, seguido do HPD da Strakka Racing.
Nos GTE PRO a BMW conquistou a pole com o #55, seguido do F458 da AF Corse e do segundo BMW. Destaque para o empate ao milésimo no quarto lugar entre o F458 da Hankook e o primeiro dos Corvette, com vantagem para o Corvette que realizou primeiro o tempo, logo na primeira volta lançada da primeira sessão! O melhor Porsche aparece apenas numa distante 7ª posição pelo que muito dificilmente a marca germânica repetirá o resultado.
Nos GTE AM vários Porsche seguem o Ferrari 430 da AF Corse, embora a alguma distância, a julgar pelo tempo de qualificação, embora aqui os conjuntos de pilotos dos Porsche possam ser mais equilibrados.
Quanto à luta pela vitória à geral, há um dado que poderá baralhar as contas... Muitos foram os pilotos dos LMP2 e dos GTE a queixarem-se dos faróis demasiados intensos dos Audi que os encandeavam mal os R18 se aproximavam da sua traseira. Conhecidos os pequenos conflitos no passado entre o ACO e os Audi, principalmente desde que luta principal é entre a Audi e construtores franceses (primeiro a Pescarolo e depois a Peugeot) veremos se, alegando questões de segurança, o ACO não obrigará a Audi a alterar o sistema de iluminação.
A partida é às 14h00, hora portuguesa, com transmissaão da partida no Eurosport 1 e transmissão integral repartida entre o Eurosport 1 e Eurosport 2.