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1000 km Suzuka FIA GT 1998


Já que este fim de semana se correram as 6 horas de Fuji do Campeonato do Mundo de Endurance, fica aqui a ligação para um artigo com belas imagens da última passagem de outra competição mundial pelo Japão, quando os míticos 1000km de Suzuka fizeram parte do calendário do campeonato FIA-GT.

http://www.doubledeclutch.com/?p=5001

AMG – 40 Anos

A recente edição das 24h de Spa marcou o regresso dos Mercedes-Benz preparados pela AMG à pista das Ardenas.
Porque foi precisamente há 40 anos, na edição de 1971 das 24h de Spa, na altura pontuável para o Campeonato Europeu de Turismos, que participou pela primeira vez um Mercedes preparado pela AMG. Tratava-se do imponente 300 SEL 6.3, com 5 metros de comprimento e um V8 de 6.3l que debitava 250 cavalos na versão de estrada.
Este modelo já tinha participado em algumas corridas de turismos, se bem que não preparado pela AMG, sem resultados de relevo.
Esta estreia marcou o que viria a ser o melhor resultado da carreira deste modelo, conhecido nesta versão das 24h Spa ’71 como “Red Sow”, que pode ser traduzido por “Porca Vermelha”, fazendo referência à sua cor, vermelho e provavelmente às generosas dimensões e quase 2 toneladas de peso do carro, um 2º lugar da geral, com os também alemães Hans Heyer e Clemens Schickentanz, 3 voltas atrás do Ford Capri RS2600 vencedor.
Começava aqui a colaboração da Mercedes-Benz com este preparador fundado 4 anos antes por dois engenheiros, ex-trabalhadores precisamente da Mercedes. A relação da AMG com a Mercedes foi-se estreitando ao longo dos anos até se tornar no preparador oficial da marca em 1988, ficando directamente responsável pelo desenvolvimento do 190E que correria no DTM e todos os projectos de competição a partir de então com excepção da Fórmula 1. Destacam-se aqui o referido 190E, o Classe C também do DTM e o CLK-GTR GT1, bi-campeão do FIA GT.
Em 1999 a AMG foi adquirida pelo grupo DaimlerChrysler que integra a Mercedes Benz, estando desde então sobre administração directa da Mercedes. Os seus fundadores optaram então por rumos diferentes, com Hans Werner Aufrecht (o A em AMG) a fundar a HWA, com a signa constituída pelas iniciais do seu nome, que continuou ligada à Mercedes e à AMG, desenvolvendo os modelos do DTM e inscrevendo uma equipa no campeonato. Constrói também os motores Mercedes usados nos campeonatos de Fórmula 3. O outro sócio fundador da AMG, Erhard Melcher (o M em AMG), vendeu a sua participação na empresa, quando Aufrecht decidiu expandir a empresa e construir novas instalações em Affalterbach, ficando apenas como funcionário nas instalações iniciais da empresa em Burgstall onde continua a trabalhar, como especialista em motores ao serviço da HWA. O G na sigla AMG diz respeito a região de Großaspach, donde é originário Aufrecht, sendo que, tirando isso, não existe qualquer ligação com a empresa e esta não é daí originária como por vezes se afirma.
Desde que foi adquirida pela Mercedes, destacam-se o Mercedes CL-R que se tornou famoso pelos voos em Le Mans, e os modelos do renascido DTM.
No final de 2010 foi lançado o Mercedes SLS AMG GT3, que marcou o regresso da Mercedes às competições de GT.
Desde os anos 90 têm também havido versões desportivas com a sigla AMG de praticamente todos os modelos da Mercedes, tendo-se alguns destacado como Safety Car da Formula 1.
A AMG construiu e preparou também os motores Mercedes que equipam os Pagani Zonda.

Deutsche Tourenwagen Meisterschaft / Deutsche Tourenwagen Masters Parte II

1988
Depois de quarto temporadas o DTM entrava na sua maturidade. 12 fins de semana de duas corridas de 100km cada e não 50km como estava previsto. 4 corridas foram realizadas for a de portas, na Bélgica (Zolder como habitual a abrir a temporada), Austria (Salzburgring) e pela primeira vez Checoslováquia (Brno) e Hungria (Hungaroring), sendo que as corridas em Salzburgring acabaram anuladas por aluimentos de terreno na pista.

Candidatos, os suspeitos do costume, BMW M3 (Christian Danner, Markus Oestreich, Kurt Thiim e Altfrid Heger), Ford Sierra RS500 (Klaus Ludwig, e Armin Hahne) e Mercedes-Benz 190E (Johnny Cecotto, Roland Asch e Dany Snobeck). 

A primeira metade da temporada foi muito equilibrada com 5 vitórias para a BMW, 4 para a Mercedes e 3 para a Ford nas primeiras 12 corridas, no entanto nas últimas 10 comrridas (Salzburgring era a antepenúltima jornada que perfazeria 12 corridas na segunda metade também) resultaram em 8 vitórias para a Ford e duas para a Mercedes, ficando a BMW em branco. Assim o campeão foi Klaus Ludwig (5 vitórias), que conquistaria o primeiro dos seus títulos no DTM, que juntou ao segundo lugar nas 24h de Le Mans deste mesmo ano (já tinha vencido em 1985 a clássica).
Com o vice-campeonato ficaria Roland Asch com um Mercedes, muito regular, uma vez que não venceu nenhuma prova e terceiro Armin Hahne noutro Ford Sierra que venceu igualmente 5 corridas mas foi menos regular que Klaus Ludwig.
Markus Oestreich foi o melhor BMW em 4º, fazendo valer a sua regularidade, uma vez que também não venceu nenhuma prova. Menos regulares e com mais um bocadinho de azar no meio do agressivo pelotão dos carros de turismo foram Johnny Cecotto (4 vitórias, 6º clasificado), Altfrif Heger (2 vitórias, 8º classificado) e Dany Snobeck (2 vitórias, 14º classificado)

DTM - Parte 1 1984-1987

Deutsche Tourenwagen Meisterschaft / Deutsche Tourenwagen Masters

Na Alemanha as corridas com carros que se assemelham com os nossos carros do dia a dia sempre tiveram enorme popularidade. Esta história de sucesso iniciou-se em 1972, com o DRM, na época para carros de Grupo 2 (como o BMW 2002 ou o Ford Escort RS1600 por exemplo) e Grupo 4 (Ford Capri RS ou Porsche 934). O seu interesse junto dos espectadores associado ao pouco interesse pela Fórmula 1 na Alemanha rapidamente fizeram com que fosse o campeonato mais popular no país. Entretanto o campeonato evoluíu para os muito alterados Grupo 5, como os potentes Porsche 935 e os espectaculares Ford Capri e BMW 320. As transmissões televisivas em directo eram Top de audiências na Alemanha e os construtores contratavam pilotos de craveira internacional. No entanto, com o sucesso internacional do Campeonato do Mundo de Marcas com os protótipos de Grupo C, o DRM acabou por adoptar estes modelos. Com a escalada de custos, acabou também por ser o fim do campeonato. Em 1984 apenas se correram três provas, usando-se três provas do Campenato do Mundo para se obterem seis provas pontuáveis, sendo aliás o campeão exactamente o mesmo nas duas competições, Stefan Bellof. Em 1985 apenas se realizou uma prova, correndo o resto do calendário junto com as Interseries.

Assim, a partir de 1986, criou-se uma competição para os Grupo C, a Supercup, no entanto num formato sprint para apenas um piloto por carro. Este campeonato durou até 1989.
Isto porque os organizadores perceberam que necessitavam de revitalizar as competições com carros derivados dos carros de estrada de grande produção, que tinham sido relegados para competições secundárias com o aparecimento dos protótipos e criou o campeonato DTM (Deutsche Tourenwagen Meisterschaft) em 1984, destinado a carros de Grupo A, ou seja, carros de turismo moderadamente modificados.



Era um campeonato destinado a privados, até porque não era atribuído título de construtores. Assim em 1984 iniciou-se a primeira temporada da competição com modelos tão diversos como o Volvo 240 Turbo, Rover Vitesse, BMW 636 CSi, BMW 325i, Chevrolet Camaro, Ford Mustang, Alfa Romeo Alfetta GTV6 ou Opel Kadett GT/E. Correram-se 12 jornadas, 10 na Alemanha e 2 visitas a Zolder na Bélgica. Havia jornadas com uma corrida de 100km ou duas mangas de 50km, neste caso obtendo-se apenas metade da pontuação por manga. No final, o primeiro campeão foi Volker Strycek, com um BMW 635CSi à frente de Olaf Manthey num Rover Vitesse.


Em 1985 a vitória foi  para o sueco Por Stureson com um Volvo 240 Turbo com o Rover Vitesse de Olaf Manthey a ficar novamente com o vice-campeonato. Em 1985 abandonaram-se as jornadas com duas mangas passando-se a realizar apenas jornadas com uma corrida de 100km e repetindo-se as únicas visitas ao exterior sob a forma de duas jornadas em Zolder.
 

1986 foi o ano da Rover, através do Vitesse, pilotado pelo dinamarquês Kurt Thiim, finalmente conseguir o título depois de dois vice-campeonatos consecutivos. Em segundo no campeonato ficou o alemão Volker Weidler, que viria a vencer, cinco anos depois, as 24h de Le Mans com a Mazda. Marcante também foi o carro utilizado por Weidler, pois foi a estreia do Mercedes 190E 2.3 16 no DTM, um carro que iria marcar de forma indelevel o campeonato nos anos seguintes.



Em 1987 estreou-se no campeonato outro peso pesado da história do campeonato, o BMW M3, que veio substituir o 635CSi. E estrou-se com a vitoria no campeonato, pelas mãos do belga Eric Van der Poele que se superiorizou ao alemão Manuel Reuter, com este a repartir a temporada entre dois Ford Sierra, o XR4i e o RS500. 



No entanto, e apesar das enormes listas de inscritos, o campeonato ainda não estava a ter o impacto mediático que se pensava possível, talvez até porque tenha havido três estrangeiros campeões em quatro anos, e assim para a temporada de 1988 decidiu-se que todas as jornadas se correriam em duas corridas de 50km e não uma de 100km, de modo a tornar o espectáculo mais interessante para as transmissões televisivas, um formato posteriormente adoptado pela generalidade dos campeonatos de turismo e fórmulas de promoção.


Mas isso fica para a segunda parte...

Pierre Levegh (Paris 1905 - Le Mans 1955)

Pierre Eugène Alfred Bouillin, conhecido nas corridas por Pierre Levegh foi um atleta de grande nível no hóquei no gelo e no ténis, mas que ficou indelevelmente ligado ao automobilismo e às 24 horas de Le Mans em particular.


Começou a competir relativamente tarde, aos 32 anos, em 1937, tendo participado na maratona francesa pela primeira vez nos dois anos seguintes, que coincidiram com as últimas duas edições da prova antes da eclosão da II Guerra Mundial. Sempre com a Talbot, fazendo equipa primeiro com Jean Trévoux e em 1939 com Luigi Chinetti, registou dois abandonos.

Com o renascer do desporto automóvel após o conflito, Pierre, cuja alcunha Levegh resultava de uma homenagem ao seu tio Alfred Velghe, um pioneiro do desporto automóvel falecido um ano antes do nascimento de Pierre, sendo Levegh um anagrama de Velghe, voltou a competir, sempre com a Talbot, tendo mesmo corrido seis Grandes Prémios entre 1950 e 1951, com máquinas obsoletas registando três abandonos e como melhor resultado um sétimo lugar no Grande Premio da Bélgica de 1950. Voltou em 1951 a Le Mans registando um quarto lugar. Foi no entanto em 1952 que o seu nome começou a ficar marcado na história da prova. O resultado final foi um inglório abandono, mas a corrida de Levegh ficou para sempre associada às lendas da maratona francesa. Isto porque Levegh foi obrigado a desistir devido a uma falha do motor do seu Talbot já na última hora de prova, depois de o francês ter feito a prova a solo! Aliás, a avaria do motor foi atribuída a uma falha numa passagem de caixa motivada pela fadiga extrema do piloto. O pior é que Levegh liderava a prova com quatro voltas de avanço, tendo a vitória na mão! Mais dramático era impossível…

Sempre com a Talbot voltou a Le Mans em 1953 e 1954, somando um oitavo lugar e um abandono respectivamente.

Com a retirada da Talbot, os feitos de Levegh com maquinaria muito desactualizada não passavam despercebidos a outras equipas, sendo contratado pela todo poderosa Mercedes-Benz que procurava emular no Endurance o regresso triunfante que vinha protagonizando desde o ano anterior nos Grandes Prémios. Com uma equipa de luxo, destcando-se a dupla do carro com o dorsal 19, que contava “apenas” com Stirling Moss e Juan Manuel Fangio, apoiados pelo carro 20 de Levegh e o norte-americano John Fitch e o 21 de Karl King e André Simon. Os grandes rivais eram os Jaguar D-Type liderados pela dupla Mike Hawthorn e Ivor Boeb, segundos em 1954.

A corrida começou verdadeiramente frenética, com Fangio e Hawthorn a digladiarem-se com se um verdadeiro Grande Premio se tratasse e ninguém diria que era uma prova de endurance. Até que, com duas horas e vinte cinco minutos de prova se dá a tragédia.


Hawthorn liderava seguido de muito perto por Fangio, quando se aprestavam para dobrar Levegh pela primeira vez na corrida. Ao entrar na recta da meta ultrapassa Levegh e de seguida o Austin Healey de Lance Macklin. Entretanto o francês iniciou a ultrapassagem ao bem mais lento Austin Healey pela esquerda também, quando Hawthorn trava e guina para a direita para parar nas boxes para reabastecer. O Austin Healey surpreendido trava e guina para a esquerda para evitar o Jaguar. Ora, à sua esquerda estava o Mercedes 300 SLR de Levegh que embateu, a cerca de 240 km/h no carro de Macklin sendo catapultado contra a barreira lateral da pista e daí para a bancada principal. 




O Mercedes explodiu e desintegrou-se com o capot a constituir uma autêntica lâmina voadora que decapitou e decepou várias pessoas. O conjunto do bloco do motor e eixo dianteiro constituíram uma verdadeira bala de canhão quem esmagou diversos espectadores e a carroçaria em magnésio incendiou-se, sendo este metal facilmente combustível e a sua chama particularmente difícil de extinguir. O Austin Healy desgovernado entra em sucessivos peões e acaba por embater também nas bancadas esmagando também três pessoas. O resultado foi catastrófico, com 82 pessoas a perderem a vida, incluindo Levegh e 76 ficaram amputadas. Juan Manuel Fangio narrou depois que Levegh ainda terá levantado a mão para o avisar do acidente eminente, o que lhe permitiu evitar envolver-se.

Apesar da tragédia e do cenário dantesco, a prova não foi interrompida, em parte para evitar que o público, ao abandonar o recinto ou a tentar chegar perto do local do acidente congestionasse as vias de acesso impedindo a chegada e partidas de ambulâncias e carros de bombeiros.

Como consequência directa a Mercedes optou por retirar, cerca de quatro horas e meia os dois carros ainda em prova, incluindo o carro 19 que liderava, por ordem expressa da Administração.

No entanto nos tempos seguintes as consequências foram de maior porte, com diversos países a proibirem as competições automóveis até que se criassem regras rigorosas de segurança, como em França ou Alemanha, ou a Suíça que proibiu as corridas em circuitos até 2007! A Mercedes abandonou as competições assim como a Bristol Cars, que fez 1-2-3 na categoria até 2 litros, assim como outras marcas.

Foi realizada uma homenagem às vítimas do acidente na catedral de Le Mans, na segunda feira a seguir à prova.

Pierre Levegh foi sepultado no cemitério Pere Lachaise em Paris.